A importância da família no tratamento dos distúrbios alimentares

Francy Ribeiro Moreira*

Resenha de James Lock e Daniel Le Grange, Ajude seu filho a enfrentar os distúrbios alimentares. São Paulo, Melhoramentos, 2007, 310p.  

A escrita do Dr. James Lock, Pediatra e Psiquiatra infantil na Universidade de Stanford e do Dr. Daniel Le Grange, Psiquiatra na Universidade de Chicago, tem a generosidade e a cortesia de expor com clareza os fundamentos de suas abordagens sobre os distúrbios alimentares em adolescentes. Este livro fornece respostas diretas aos pais dos jovens baseadas em evidências de pesquisas e na experiência clínica desses dois importantes médicos na área da Saúde Mental.

A obra divide-se em três partes, denominadas “Para Começar: os primeiros passos para ajudar seu filho com distúrbio alimentar”, “Entenda os distúrbios alimentares” e “Faça o tratamento dar certo”, cada uma abrangendo vários capítulos. Sem a intenção de resumi-las apresento algumas questões que a leitura foi impondo.

O foco principal é orientar os pais sobre a doença no adolescente, além de mostrar a importância da família na recuperação de um filho com transtorno alimentar. Apesar da existência de muitas pesquisas que apontam os pais como os culpados pelo problema, os autores pensam que isso é um equívoco. Os pais não devem se culpar, e sim participar do tratamento.

O diagnóstico precoce dos distúrbios alimentares, assim como o reconhecimento da urgência da situação será crucial para um tratamento bem sucedido. A leitura deste texto nos oferece detalhes práticos sobre esses distúrbios e a complexidade de tais doenças. Casos clínicos são apresentados com inteligibilidade, juntamente com informações sobre as principais abordagens de tratamentos disponíveis e sua eficácia no mundo científico.

Um tipo de terapia que se destaca é aquela que enfoca o modelo de terapia baseado na família – denominada abordagem Maudsley. Desenvolvida no Hospital Maudsley, em Londres, essa terapia não culpa a família e sim, estimula seus membros a participarem ativamente da reeducação alimentar do jovem.

Lock e Le Grange relacionam os principais sinais de perigo de desenvolvimento de um distúrbio alimentar. Ninguém adoece de repente. Os sinais mais comuns: excessos de dietas em adolescentes; ir ao banheiro vomitar após as refeições; comida que desaparece; falta de menstruação nas meninas; recusa em se alimentar com a família; pavor de engordar; entre outros.

Por fim, outra virtude do livro é a forma didática com que os pais são orientados a enfrentar e procurar ajuda para o filho. Nada de temer questionar os especialistas, pois as diretrizes do tratamento precisam ser bem compreendidas. Em cada exemplo clínico há um destaque para a importância da família na recuperação de um adolescente com transtorno alimentar.

 

*Psicanalista pelo Instituto Sedes Sapientiae de São Paulo e Mestre em Psicologia Clínica pela UNESP Assis-SP.

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