Oficina de cura: o exercício da clínica. Resenha do livro: Garcia, Desafios para a Técnica Psicanalítica, 2007.

Oficina de cura: o exercício da clínica

Patricia Gipsztejn*

Resenha: Em Desafios para a Técnica Psicanalítica, José Carlos Garcia, de forma primorosa e bastante generosa, discute a questão da técnica em Psicanálise. Com competência, nos convida a refletir sobre situações inquietantes com que nos deparamos em nossa clínica.

Afirma que as questões técnicas, quando manejadas de forma rígida e mecânica, podem limitar o trabalho do analista. Precisam, portanto, ser cuidadosamente pensadas e pautadas nas descobertas do analista em seu trabalho clínico, em sua supervisão e em sua análise pessoal. Para o autor, o que sustenta a posição do analista é o seu tipo de escuta e a maneira de compreender e interpretar a partir de seu lugar na transferência, e não a rigidez do enquadre.

Segundo Garcia, seu livro pode ser dividido em duas partes. A primeira delas é destinada à teoria da técnica. A segunda trata diretamente da atividade do analista, que ele chama de oficina de cura.

Na primeira, faz uma importante reformulação da concepção freudiana da noção de símbolo a partir do conceito de pulsão de morte, dando uma nova compreensão da relação pulsão-representação. Somos levados a pensar sobre o lugar do analista na transferência. Para o autor, o que se repete na transferência não é só o reprimido, mas também a atualidade pulsional. A partir da apreensão do analista quanto ao seu lugar, o potencial de simbolização no processo analítico se amplia.

Na segunda parte, somos agraciados com duas vinhetas clínicas com o intuito de discutir a transferência a partir dessa nova perspectiva. O quarto capítulo traz um caso clínico em que foi necessário recorrer a um método criativo para a continuação da análise e, no último, o autor expõe um novo instrumento criado a partir de uma dificuldade no contato com um paciente.

José Carlos Garcia apresenta inovações técnicas interessantes, próprias de sua clínica. Ele nos demonstra que a técnica tem correlação direta com a apreensão teórica que cada analista faz. A teoria, a supervisão e a análise proporcionam o caráter singular com o qual a técnica se apresenta a cada um de nós no exercício de nossa clínica.

 

GARCIA, J C Desafios para a Técnica Psicanalítica. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007.

 

*Psicanalista. Especialista em Psicoterapia Psicodinâmica da Adolescência pelo Instituto Sedes Sapientiae. Membro da CEPPAN e do Departamento Formação em Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae.

Publicado em Resenhas Marcado com: , , ,