Os excessos que podem causar morte

Francy Ribeiro Moreira* 

Resenha de Jocelyne Levy Rosenberg, Lindos de morrer: dismorfia corporal e outros transtornos obsessivos: um risco para ela e para ele. São Paulo, Celebris, 2004, 112 p.

 

Há muito existe o interesse em se pesquisar sobre os exageros que tornam os cuidados com a aparência uma verdadeira obsessão. O título do livro, Lindos de morrer, denuncia os excessos do ser humano que sofre com a aparência física. A renomada psiquiatra, Jocelyne Levy Rosenberg, com residência na University of Florida, chama a atenção sobre a gravidade de transtornos como a dismorfia corporal e outros transtornos obsessivos.

Esta é uma leitura importante, pois a obra cujo tema, complexo, carregado de armadilhas clínicas, é tratado pela autora de forma clara, rigorosa, e, sobretudo, sensível. Trata-se da saúde física e psíquica dos seres humanos.

Os perigos do apelo midiático para a obtenção do corpo perfeito são apontados como possíveis desencadeadores dos transtornos psiquiátricos ligados à imagem corporal. Relevante é saber diferenciar o normal do patológico quando se trata dos cuidados com a aparência.

Nos primeiros capítulos, Rosenberg relata casos clínicos, onde jovens sofrem com o TDC – transtorno dismórfico corporal, ou, como era conhecido, dismorfofobia. Há um sofrimento acentuado acerca de uma suposta deforminade.

Casos de dismorfia muscular, ou o denominado complexo de Adonis também são descritos pela autora como uma grave distorção corporal comparável à da anorexia nervosa. Apesar dos corpos super musculosos, essas pessoas se enxergam de outra forma, se acham pequenas. Continuam a se exercitar em excesso, usam anabolizantes, sem a menor preocupação com os riscos. O que interessa é o corpo perfeito, musculoso.

O livro traz um diferencial. Dra. Jocelyne apresenta questionários para auxiliar no diagnóstico do transtorno dismórfico corporal, do complexo de Adonis e para avaliar a existência de problemas de imagem corporal.

Também são apresentados critérios para identificar a anorexia nervosa, a bulimia e outros transtornos da compulsão alimentar periódica. A autora analisa outras situações igualmente preocupantes, como o jogo compulsivo e o TOC – transtorno obsessivo compulsivo.

Ao final são propostas formas de tratamento que incluem uma combinação de medicação, psicoterapia e do valoroso apoio familiar. O alerta principal é: todos podem adoecer e até morrer caso não tenham tratadas as suas compulsões. A dimensão sintomática carece de simbolismos.

 

*Psicanalista pelo Instituto Sedes Sapientiae de São Paulo e Mestre em Psicologia Clínica pela UNESP Assis-SP.

Publicado em Resenhas