Seidinger, F.M. Significados psicológicos do abandono do tratamento ambulatorial nos Transtornos Alimentares na visão dos pacientes: um estudo clínico-qualitativo. Dissertação de mestrado. Unicamp, 2014.

Estudo para obtenção de título de Mestrado em Ciências Médicas/Saúde Mental por Flávia Machado Seidinger na Faculdade de Ciências Médicas – Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) sob a orientação do Prof. Dr. Egberto Ribeiro Turato

RESUMO: O abandono do tratamento, questão cara à saúde pública, constitui preocupação nos transtornos alimentares pelos altos índices e resultados insatisfatórios no tratamento. O estudo teve por objetivo compreender o abandono do tratamento ambulatorial nos transtornos alimentares a partir dos significados atribuídos por pacientes que vivenciaram a interrupção do tratamento especializado em ambulatório de hospital universitário público. Utilizando-se do método clínico-qualitativo, entrevistas em profundidade guiadas por roteiro semiestruturado foram colhidas, gravadas e transcritas na íntegra. A amostra, fechada por critério de saturação dos dados, consistiu de oito pacientes com ≥18 anos. Foi pressuposto que o abandono do tratamento guardasse relação com aspectos psicológicos próprios aos transtornos. A fundamentação teórica foi ancorada no referencial psicodinâmico e os achados analisados também à luz de revisão da literatura científica atual. As oito categorias de conteúdo originadas por enunciação são apresentadas em três grupos. As categorias centrais – denominadores comuns a todas as demais categorias correspondem aos significados psicológicos do abandono para os participantes e dizem respeito à psicodinâmica ligada ao abandono: 1.a) “Uma escravidão ao vício, compulsivamente” – dimensão aditiva da anorexia e bulimia e 1.b) “Me senti abandonada, então abandonei” – acting out da fantasia de abandono. Por sua vez, as categorias secundárias relacionam-se diretamente às centrais e revelam mecanismos que participam e desembocam no ato do abandono: 2.a) “Não gosto que as coisas saiam do meu controle” – abandono como alívio, 2.b) “Anorexia é uma coisa para a vida inteira” – apego/adesão ao sintoma e 2.c) “Eu me dei alta” – melhora suficiente e cura. Por corresponderem aos significados da faceta “tratamento” implicada no objeto “abandono”, as categorias colaterais: 3.a) “No começo eu não aceitava como doença” – negação inicial e superação, 3.b) “Um tratamento dentro do tratamento” – lugar dado à palavra e 3.c) Da “aliança ao vício” à aliança terapêutica como laço. Resultados confirmaram pressuposto do estudo e significados revelam elementos simbólicos que permitem melhor compreensão do fenômeno, apontando proximidade às adicções e aspectos psicodinâmicos como: dificuldades com o controle e campo interpessoal, impulsividade e condutas atuadas; apontam a importância do laço a ser construído com a equipe, no manejo clínico frente à dinâmica aditiva. Com possível impacto na adesão e resultados do tratamento, o estudo aponta ramificações e possibilidades para a terapêutica desta clínica carente de avanços.

Palavras-chave: anorexia nervosa; bulimia nervosa; pesquisa qualitativa; pacientes desistentes do tratamento; comportamento aditivo; dependência (psicologia) 

Para ter acesso ao trabalho completo, clique no link: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000931464

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